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Eurocódigos Estruturais: o que são e porque importam para a sua casa

  • Foto do escritor: Ana Carolina Santos
    Ana Carolina Santos
  • há 3 dias
  • 4 min de leitura

Os Eurocódigos Estruturais são um tema que, à primeira vista, parece reservado a engenheiros e calculistas. Na realidade, estão por detrás de cada edifício que habitamos, que construímos ou que reabilitamos — e perceber o que são ajuda a tomar decisões de projeto e de investimento mais informadas.


O que são os Eurocódigos Estruturais?


Os Eurocódigos Estruturais constituem um conjunto de Normas Europeias (EN), desenvolvidas pelo Comité Europeu de Normalização (CEN), relativas ao projeto de estruturas de edifícios e de outras obras de engenharia civil, realizadas com diferentes materiais.

"Os Eurocódigos Estruturais constituem um conjunto de Normas Europeias (EN) relativas ao projeto de estruturas de edifícios e de outras obras de engenharia civil, realizadas com diferentes materiais."

Estas normas fornecem regras comuns de cálculo estrutural para aplicação no projeto de estruturas e dos seus componentes, de natureza tradicional ou inovadora.

Em Portugal, os Eurocódigos Estruturais são publicados como Normas Portuguesas (NP EN), acompanhadas de um Anexo Nacional que define os parâmetros nacionais aplicáveis, tendo em conta as especificidades do território (nomeadamente a sismicidade).



Que normas fazem parte deste conjunto?


Os Eurocódigos Estruturais são constituídos por dez normas (Eurocódigo 0 a Eurocódigo 9), cada uma dedicada a uma área específica do projeto estrutural.

Eurocódigo

Norma EN

Tema

EC 0

EN 1990

Bases para o projeto de estruturas

EC 1

EN 1991

Ações em estruturas

EC 2

EN 1992

Projeto de estruturas de betão

EC 3

EN 1993

Projeto de estruturas de aço

EC 4

EN 1994

Projeto de estruturas mistas aço-betão

EC 5

EN 1995

Projeto de estruturas de madeira

EC 6

EN 1996

Projeto de estruturas de alvenaria

EC 7

EN 1997

Projeto geotécnico

EC 8

EN 1998

Projeto de estruturas em regiões sísmicas

EC 9

EN 1999

Projeto de estruturas de alumínio


Para a habitação em Portugal, os Eurocódigos mais relevantes são tipicamente o EC 0, EC 1, EC 2 (betão armado), EC 5 (madeira), EC 6 (alvenaria), EC 7 (geotecnia/fundações) e, de forma muito especial, o EC 8 (sismicidade), dada a localização de Portugal numa zona de risco sísmico significativo.

Os Eurocódigos Estruturais garantem que um edifício, independentemente do país onde foi projetado, respeita critérios técnicos rigorosos de segurança e desempenho estrutural.

Como estão enquadrados em Portugal?


Em Portugal, a utilização dos Eurocódigos Estruturais em projetos de estruturas de edifícios foi formalmente enquadrada pelo Despacho Normativo n.º 21/2019, de 17 de setembro, que aprovou as condições para a sua utilização nos projetos de estruturas de edifícios, ao abrigo do artigo 16.º e da alínea g) do n.º 1 do artigo 17.º do Decreto‑Lei n.º 95/2019, de 18 de julho.

O mesmo Despacho Normativo n.º 21/2019 explicita que:



O que muda na prática para quem constrói ou reabilita?


Para quem está a construir, adaptar ou reabilitar uma habitação, os Eurocódigos Estruturais traduzem‑se em requisitos técnicos concretos que o projeto de estruturas deve cumprir.


Segurança estrutural

  • O projeto estrutural deve garantir que o edifício não colapsa durante a sua vida útil prevista, sob as ações a que vai estar sujeito (peso próprio, sobrecargas de utilização, vento, neve e sismo).

  • Em Portugal, com zonas de risco sísmico assinalável (especialmente no sul e no litoral atlântico), as exigências do EC 8 têm particular relevância e devem ser verificadas em qualquer projeto estrutural de habitação nova ou de reabilitação estrutural.


Comportamento em utilização

  • Para além da segurança, os Eurocódigos estabelecem critérios de aptidão ao uso: deformações, vibrações e fissuração devem manter‑se dentro de limites aceitáveis para que o edifício possa ser utilizado com conforto e sem degradação prematura.


Impacto na escolha de materiais

  • Conforme o material estrutural selecionado — betão armado, aço, madeira, alvenaria ou misto — aplica‑se o Eurocódigo específico correspondente, com regras próprias de dimensionamento.

  • Na reabilitação, onde coexistem frequentemente diferentes sistemas estruturais e materiais de épocas distintas, a articulação entre Eurocódigos é especialmente importante e exige análise técnica especializada.


Projeto geotécnico e fundações

  • O EC 7 regula o projeto geotécnico, que inclui a avaliação do terreno de fundação e o dimensionamento das fundações do edifício.

  • A qualidade do solo, que pode variar significativamente de terreno para terreno, é um fator determinante na escolha do tipo de fundação e no custo final da obra.



Eurocódigos e o projeto de arquitetura: uma articulação necessária


O projeto de arquitetura e o projeto de estruturas, embora distintos, são indissociáveis: as opções de conceção (organização em planta, pé‑direito, tipo de estrutura, vãos, elementos de fachada) condicionam diretamente as soluções estruturais e os esforços a verificar pelos Eurocódigos.

Na prática (boa prática de projeto):

  • A colaboração precoce entre arquiteto e engenheiro de estruturas contribui para soluções mais eficientes, com menos incompatibilidades e melhor relação custo/desempenho.

  • Em projetos de reabilitação, o conhecimento da estrutura existente — materiais, estado de conservação, sistema resistente — é essencial antes de definir qualquer intervenção estrutural à luz dos Eurocódigos.



Para considerar


Os Eurocódigos Estruturais são o quadro normativo europeu que define, de forma rigorosa e harmonizada, como se projeta e verifica a segurança e o desempenho de uma estrutura. Em Portugal, a sua adoção está enquadrada pelo Despacho Normativo n.º 21/2019, de 17 de setembro, sendo as normas transpostas como Normas Portuguesas (NP EN) com Anexo Nacional. Para quem constrói ou reabilita uma habitação, isto significa que o projeto de estruturas é desenvolvido com base em regras técnicas exigentes, com especial atenção à segurança sísmica, à qualidade das fundações e ao comportamento do edifício ao longo da sua vida útil.


Nota: Este post foi elaborado com base na legislação e normalização em vigor em abril de 2026. Dada a evolução constante do quadro normativo, recomenda‑se sempre a consulta das versões atualizadas das normas e o acompanhamento por técnicos habilitados.

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