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Arquitetura e Paisagem como Estratégia Nacional: O que estabelece a PNAP

  • Foto do escritor: Ana Carolina Santos
    Ana Carolina Santos
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

A Política Nacional de Arquitetura e Paisagem define orientações para valorizar a qualidade do ambiente construído em Portugal, reconhecendo arquitetura e paisagem como bens de interesse público essenciais ao bem-estar dos cidadãos. Este documento estratégico, embora pouco conhecido do público em geral, influencia diretamente a forma como se pensam cidades, edifícios e territórios em todo o país.


Vista aérea de parque integrado com a envolvente natural
Vista aérea de parque integrado com a envolvente natural


A Política Nacional de Arquitetura e Paisagem (PNAP) foi aprovada pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 45/2015, de 7 de julho, na sequência dos trabalhos desenvolvidos pela Comissão Redatora constituída em 2013. A resolução determina ainda a criação da Comissão de Acompanhamento da Arquitetura e da Paisagem (CAAP), presidida pelo diretor-geral do Território e integrando representantes da Direção-Geral do Património Cultural, da Ordem dos Arquitetos e da Associação Portuguesa dos Arquitetos Paisagistas.


A qualidade da arquitetura e da paisagem não é apenas uma questão estética — é reconhecida como fator estratégico de bem-estar, competitividade económica e identidade cultural do país.


O fundamento constitucional


A PNAP assenta, entre outros, no artigo 66.º da Constituição da República Portuguesa, que consagra o direito de todos a um ambiente de vida humano sadio e ecologicamente equilibrado, incumbindo ao Estado ordenar o território tendo em vista a valorização da paisagem e a proteção de zonas históricas. Esta base constitucional confere à política um estatuto de imperativo do Estado, e não de mera orientação técnica.


Quatro valores estruturantes

O documento identifica quatro dimensões que fundamentam a relevância da arquitetura e da paisagem para o país:

  • Valor social — arquitetura e paisagem configuram o suporte espacial da vida em sociedade e das atividades humanas quotidianas

  • Valor cultural — constituem testemunho vivo do passado coletivo e elemento de identidade e pertença

  • Valor económico — geram riqueza, atraem investimento e turismo, e dinamizam o setor da construção

  • Valor ambiental — resultam da interação entre o Homem e o ambiente natural, mitigando impactos e adaptando-se às alterações climáticas


Seis desafios identificados para o país

A PNAP aponta um conjunto de fragilidades que justificam a existência desta política, entre as quais se destacam a expansão urbana desordenada das últimas décadas, o despovoamento e degradação dos centros históricos, a insuficiência de mecanismos de proteção do património cultural e paisagístico, e o peso do setor dos edifícios no consumo energético nacional — cerca de 30% do consumo total de energia em Portugal. Estes desafios sustentam a aposta estratégica na reabilitação e na regeneração urbanas, referida expressamente no documento como resposta prioritária.


Missão da Comissão de Acompanhamento

A CAAP tem como competências acompanhar e monitorizar a execução das medidas da PNAP, apresentar anualmente, até 31 de março, relatórios de progresso e avaliação, e emitir pareceres ou recomendações sobre arquitetura e paisagem. Esta estrutura de governação assegura que a política não fica limitada a um documento de intenções, mas é sujeita a avaliação contínua.


Prática comum na aplicação dos princípios

Ainda que a PNAP não tenha força vinculativa direta sobre projetos individuais, é boa prática que os profissionais de arquitetura considerem os seus princípios — nomeadamente a valorização do património, a eficiência energética e a integração paisagística — na conceção de projetos de reabilitação e de construção nova, sobretudo em contextos urbanos consolidados ou de valor patrimonial.



Para refletir


A Política Nacional de Arquitetura e Paisagem demonstra que a qualidade do ambiente construído é hoje entendida, ao mais alto nível do Estado português, como um investimento estratégico e não como um custo acessório. Compreender estes princípios ajuda proprietários e promotores a valorizar projetos que respeitem o património e a paisagem, com benefícios diretos na qualidade de vida e no valor dos imóveis a longo prazo.


Nota: Este conteúdo foi elaborado com base na legislação portuguesa em vigor em julho de 2026, dada a evolução constante do quadro normativo e as especificidades de cada município, recomenda-se sempre a consulta junto da Câmara Municipal competente e o acompanhamento por técnicos habilitados.

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