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Marcos Geodésicos: O que são, para que servem e como protegê-los

  • Foto do escritor: Ana Carolina Santos
    Ana Carolina Santos
  • há 3 dias
  • 4 min de leitura

Quem já subiu a um ponto alto do território português — seja uma serra, uma colina ou um cruzamento de estradas rurais — pode ter encontrado uma estrutura de betão ou pedra cravada no solo, muitas vezes com um sinal metálico no topo. Trata-se de um marco geodésico, também designado por vértice geodésico, e a sua presença não é acidental: representa décadas de trabalho de medição e referenciação do território.


O que é um Marco Geodésico


Um marco geodésico é um ponto de referência físico, instalado com precisão no terreno, que serve de base para a medição e o registo das coordenadas geográficas do território.

A sua função é essencial: é a partir destes pontos que se constroem a cartografia, os levantamentos topográficos, os projetos de engenharia e arquitetura, e toda a informação georreferenciada que sustenta o ordenamento do território. Sem eles, não haveria forma rigorosa de saber onde começa e onde acaba cada parcela, cada município ou cada país.

"Um marco geodésico não é apenas uma pedra no chão — é um ponto de referência que ancora toda a cartografia do território nacional."

Que tipos existem

A Rede Geodésica Nacional (RGN) é composta por vértices geodésicos organizados em três ordens de precisão:

  • 1.ª Ordem — os pontos de maior precisão e maior distância entre si, que definem a estrutura base da rede

  • 2.ª Ordem — pontos intermédios que densificam a rede

  • 3.ª Ordem — pontos de maior detalhe, utilizados em trabalhos de menor escala

Existe ainda a Rede de Nivelamento Geométrico de Alta Precisão (RNGAP), composta por marcas de nivelamento que definem altitudes de referência ao longo de todo o território.

No total, a RGN de Portugal Continental é composta por mais de 8.000 vértices geodésicos.


Como são e onde se localizam

Fisicamente, um marco geodésico pode assumir várias formas:

  • Pilar de betão (o mais comum), cravado no solo com uma chapa metálica identificativa no topo

  • Talefe ou guarita — estruturas mais robustas, em alvenaria ou betão, que albergam e protegem o sinal geodésico

  • Marca de nivelamento — pequeno rebite metálico ou chapa fixada em estruturas sólidas (muros, paredes, edifícios, pontes)

Os vértices geodésicos localizam-se preferencialmente em pontos elevados do território — cumes de montes, serras e outeiros — que garantam intervisibilidade com outros vértices próximos. As marcas de nivelamento encontram-se ao longo das principais vias de comunicação e em estruturas fixas existentes no território.


Quem os instala e quem os gere

A Direção-Geral do Território (DGT) é a entidade nacional responsável pela instalação, manutenção e gestão de todos os vértices geodésicos pertencentes à RGN e de todas as marcas de nivelamento pertencentes à RNGAP.

A DGT disponibiliza gratuitamente as coordenadas de todos os vértices geodésicos, bem como os parâmetros de transformação de coordenadas entre diferentes sistemas de referência.


Quem os utiliza

Os marcos geodésicos são utilizados por diversas entidades e profissionais:

  • Topógrafos e engenheiros — como base de orientação e referência para levantamentos topográficos

  • Arquitetos — na elaboração de peças desenhadas que exigem georreferenciação do terreno

  • Empresas de cartografia e de sistemas de informação geográfica (SIG)

  • Autarquias e organismos públicos — no planeamento e ordenamento do território

  • Forças Armadas — o Centro de Informação Geoespacial do Exército (CIGeoE) também participa na produção de informação cartográfica georreferenciada




Os vértices geodésicos da RGN e as marcas de nivelamento da RNGAP encontram-se protegidos pelo Decreto-Lei n.º 143/82, de 26 de abril.

Nos termos deste diploma, deve ser respeitada uma zona de proteção em torno de cada marco, constituída por uma área circunjacente ao sinal com um raio nunca inferior a 15 metros, e deve ser assegurado que quaisquer infraestruturas a implantar não obstruam as visibilidades das direções constantes das respetivas minutas de triangulação.

As implicações práticas são diretas:

  • Qualquer obra — construção, infraestrutura, plantação — na proximidade de um vértice geodésico está condicionada por esta zona de proteção

  • Os projetos de obras ou planos de arborização nas proximidades de marcos geodésicos não podem ser licenciados sem prévia autorização da DGT

  • A destruição ou danificação de um marco geodésico é legalmente proibida e pode implicar responsabilidade



O que muda quando há um Marco no seu terreno


Se tiver um terreno onde exista um vértice geodésico, há condicionantes a considerar antes de avançar com qualquer projeto:

  • O raio de proteção (nunca inferior a 15 metros) limita a edificação e qualquer intervenção no solo nessa área

  • Qualquer pedido de licenciamento que afete essa zona pode exigir parecer ou autorização prévia da DGT

  • Mesmo que o marco não seja visível à superfície (por estar enterrado ou degradado), a sua existência continua a ter relevância jurídica

A identificação da presença de vértices geodésicos num terreno é um passo que deve integrar a análise prévia de qualquer projeto — antes de se avançar para a fase de licenciamento.



Em poucas palavras


Os marcos geodésicos são parte da infraestrutura invisível que sustenta toda a cartografia e o ordenamento do território em Portugal. A sua existência pode condicionar projetos de construção ou de intervenção no solo, pelo que a sua identificação deve ser feita na fase inicial de qualquer estudo de viabilidade.


Nota: Este conteúdo foi elaborado com base na legislação portuguesa em vigor em maio de 2026. Dada a evolução constante do quadro normativo e as especificidades de cada caso e município, recomenda-se sempre a consulta junto da entidade competente — nomeadamente a Direção-Geral do Território — e o acompanhamento por técnicos habilitados.

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