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Anomalias e patologias em edifícios: como reconhecer os sinais de que o imóvel precisa de intervenção

  • Foto do escritor: Ana Carolina Santos
    Ana Carolina Santos
  • há 3 dias
  • 3 min de leitura

De forma simples, pode dizer‑se que:

  • Anomalia é qualquer desvio em relação ao comportamento ou aspeto esperado de um elemento do edifício (por exemplo, uma mancha, uma fissura fina, uma porta que deixa de fechar bem).​

  • Patologia é quando essa anomalia se transforma num problema mais sério, afetando o desempenho, a segurança ou a vida útil do edifício (por exemplo, fissuras profundas em vigas, corrosão de armaduras, infiltrações persistentes).

Uma anomalia é um sinal de que algo não está como deveria; a patologia é a “doença” do edifício que exige diagnóstico e intervenção técnica.

Exemplo de patologia estrutural
Exemplo de patologia estrutural

Tipos mais comuns de anomalias num edifício


Em contexto prático, as anomalias podem organizar‑se em três grandes grupos.

  • Anomalias estruturais: Fissuras, fendas, deformações em pilares, vigas ou lajes; podem decorrer de erros de projeto, fundações mal dimensionadas, assentamentos diferenciais ou sobrecargas.

  • Anomalias funcionais: Infiltrações em coberturas e fachadas, humidade ascendente em paredes, condensações, problemas de isolamento térmico e acústico, falhas em redes elétricas e hidráulicas.

  • Anomalias estéticas: Manchas, descoloração, destacamento de revestimentos, fissuras finas em rebocos e pinturas; não põem em risco a estrutura, mas afetam a aparência e o valor do imóvel.

Muitas patologias começam como pequenas anomalias não tratadas — por exemplo, uma fissura com entrada de água pode evoluir para corrosão de armaduras e perda de capacidade resistente.



Causas frequentes das patologias em edifícios


As patologias raramente surgem “do nada”. Normalmente resultam de uma combinação de fatores.

  • Falhas de projeto: Dimensionamentos incorretos, detalhe construtivo inadequado (por exemplo, ausência ou má colocação de impermeabilizações, falta de juntas de dilatação), incompatibilidades entre materiais.​

  • Execução deficiente em obra: Mão de obra pouco qualificada, desrespeito por projetos e especificações, cura insuficiente de betão, aplicação incorreta de argamassas e revestimentos.

  • Materiais inadequados ou de baixa qualidade: Produtos não conformes com as normas, sistemas incompatíveis entre si, materiais sem manutenção adequada ao longo do tempo.

  • Falta de manutenção: Ausência de inspeções periódicas, limpeza deficiente de coberturas e ralos, não reparação de fissuras e pequenas infiltrações; a falta de conservação acelera a degradação e multiplica as patologias.




Em Portugal, o dever de manter os edifícios em condições de segurança, salubridade e bom arranjo recai sobre os proprietários.

  • O RGEU e o RJUE atribuem às câmaras municipais poderes para ordenar obras de conservação ou, em situações graves, a demolição de construções que ameacem ruína ou constituam perigo para a saúde e segurança públicas.

  • Quando as anomalias evoluem para patologias que colocam em causa a segurança, a autarquia pode intimar o proprietário a executar as obras necessárias e, em último caso, realizá‑las coercivamente.

Lei e boa prática convergem na mesma ideia: identificar e tratar patologias não é apenas uma questão de conforto, é uma obrigação associada à propriedade do imóvel.


Exemplos práticos do dia a dia

Alguns exemplos ajudam a tornar estes conceitos mais concretos.

  • Manchas de humidade numa parede de cave: Começa como anomalia estética; se persistir, pode evoluir para patologia com deterioração de rebocos, oxidação de armaduras e risco de perda de desempenho estrutural ou de salubridade.

  • Fissuras em paredes interiores: Podem ser apenas ajustes de assentamento ou retração de argamassas (anomalia moderada) ou sinal de problema de fundações ou movimentos estruturais (patologia que exige avaliação).

  • Revestimentos cerâmicos a destacar nas fachadas: Além do impacto estético, podem transformar‑se numa patologia grave pela queda de peças para o espaço público, com risco para pessoas e bens.

Nestes cenários, a diferença entre uma intervenção simples e uma obra de reabilitação pesada muitas vezes está em agir cedo, com diagnóstico técnico adequado.



Dicas essenciais para proprietários


Em termos de boa prática, quem é dono de um imóvel deve:

  • Fazer inspeções visuais periódicas (mínimo anual) a coberturas, fachadas, caves e zonas técnicas.

  • Registar e acompanhar a evolução de anomalias (fotografar manchas, fissuras, deformações).

  • Não “mascarar” problemas com pintura ou remendos rápidos sem tratar a causa (especialmente em infiltrações e humidades).

  • Em caso de dúvida, recorrer a técnicos habilitados (arquitetos, engenheiros) para diagnóstico de patologias e definição da estratégia de reparação.

A manutenção preventiva e a intervenção atempada são a forma mais eficaz e económica de evitar patologias graves nos edifícios.​

Para considerar


Anomalias e patologias num edifício não são apenas questões técnicas abstratas: refletem‑se diretamente na segurança, no conforto, no valor patrimonial e na vida útil do imóvel. Olhar para fissuras, humidades e deformações com atenção e atuar cedo é um investimento na estabilidade do edifício e na tranquilidade de quem o habita.


Nota: Este conteúdo foi elaborado com base na legislação portuguesa em vigor em fevereiro de 2026 e em boas práticas de reabilitação e manutenção de edifícios. Dada a evolução constante do quadro normativo e as especificidades de cada município e de cada construção, recomenda‑se sempre a consulta junto da Câmara Municipal competente e o acompanhamento por técnicos habilitados.

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