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O que significa o número de matriz que consta nos documentos de um terreno

  • Foto do escritor: Ana Carolina Santos
    Ana Carolina Santos
  • há 23 horas
  • 4 min de leitura

Ao consultar a caderneta predial ou uma escritura de um terreno, é comum encontrar uma referência a um "artigo matricial" ou "número de matriz". Este número é essencial para identificar corretamente o imóvel perante a Autoridade Tributária, e a sua compreensão evita erros dispendiosos em qualquer negócio imobiliário. A seguir explica-se o que é, para que serve e como se relaciona com outros números que identificam o mesmo terreno.



O que é a matriz predial


"As matrizes prediais são registos de que constam, designadamente, a caracterização dos prédios, a localização e o seu valor patrimonial tributário, a identidade dos proprietários e, sendo caso disso, dos usufrutuários e superficiários."

O mesmo artigo esclarece ainda dois pontos essenciais:

O número de matriz, também chamado de artigo matricial, é o número atribuído a cada terreno dentro desta matriz, para efeitos de identificação fiscal e de tributação, nomeadamente para efeitos de Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI).


O número de matriz não identifica a localização física exata de um terreno — identifica-o perante as Finanças, para efeitos de tributação e de gestão fiscal do património.


Para que serve, na prática


O número de matriz cumpre várias funções concretas na vida de um terreno:

  • Permite calcular e cobrar o valor patrimonial tributário do terreno, base de incidência do IMI.

  • Serve de referência obrigatória em qualquer negócio jurídico sobre o terreno, como uma compra e venda, doação ou partilha.

  • Permite identificar o proprietário (e, sendo o caso, usufrutuários ou superficiários) do terreno junto da Autoridade Tributária.

  • É utilizado como elemento de identificação do prédio na respetiva descrição no registo predial, ao lado do número da descrição.

Nota importante: O número de matriz e o número de descrição no registo predial são dois números distintos, atribuídos por entidades diferentes — o primeiro pela Autoridade Tributária, o segundo pela conservatória do registo predial — e não devem ser confundidos, apesar de ambos serem necessários para identificar corretamente o mesmo terreno.



Quando surge e quando é atualizado


A inscrição de um terreno na matriz, bem como a sua atualização, não é automática: depende, em regra, de uma declaração apresentada pelo proprietário. O artigo 13.º, n.º 1, do CIMI estabelece um prazo de 60 dias, a contar da ocorrência de determinados factos, para apresentar essa declaração, entre os quais:

  • Uma dada realidade física passar a ser considerada como prédio.

  • Modificarem-se os limites do terreno (por exemplo, após um destaque ou uma anexação).

  • Concluírem-se obras de edificação, de melhoramento ou outras alterações que possam determinar variação do valor patrimonial tributário.

  • Verificarem-se alterações nas culturas praticadas num prédio rústico.

Prazo a reter: O incumprimento deste prazo de 60 dias não impede, contudo, a inscrição do terreno na matriz. O artigo 13.º, n.º 3, do CIMI determina que, se o proprietário não cumprir esta obrigação, o chefe de finanças competente procede oficiosamente à inscrição ou atualização em falta.



Como se identifica corretamente um terreno através da matriz


Na prática, para identificar um terreno de forma inequívoca junto das Finanças ou no registo predial, é necessário indicar, em conjunto:

Elemento

Onde consta

Para que serve

Número de matriz (artigo matricial)

Caderneta predial, escritura, nota de liquidação do IMI

Identifica o terreno perante a Autoridade Tributária

Natureza do artigo (rústico ou urbano)

Caderneta predial

Determina em qual das duas matrizes o terreno está inscrito

Freguesia

Caderneta predial e registo predial

Contextualiza a localização administrativa do terreno

Número de descrição predial

Certidão do registo predial

Identifica o terreno perante a conservatória do registo predial



Boas práticas a considerar


Sem que a lei o exija em todos os casos, a experiência profissional aconselha:

  • Confirmar sempre, antes de qualquer negócio sobre um terreno, se o número de matriz indicado na caderneta predial coincide com o que consta na certidão do registo predial.

  • Solicitar uma caderneta predial atualizada junto do Portal das Finanças sempre que se preveja uma escritura, para garantir que os dados fiscais estão corretos.

  • Comunicar prontamente à Autoridade Tributária qualquer alteração física do terreno (destaque, anexação, obras), evitando que a inscrição oficiosa por parte do chefe de finanças origine correções que atrasem futuros negócios.



Para refletir


O número de matriz é, na essência, o "código de identificação fiscal" de um terreno, e a sua correta compreensão evita confusões frequentes com outros números que também identificam o mesmo imóvel, como o número de descrição predial. Manter a matriz atualizada, sobretudo depois de obras, destaques ou alterações de limites, é uma responsabilidade do proprietário que, se ignorada, pode complicar processos futuros de venda, herança ou licenciamento.


Nota: Este conteúdo foi elaborado com base na legislação portuguesa em vigor em agosto de 2026. Dada a evolução constante do quadro normativo e as especificidades de cada situação concreta, recomenda-se sempre a consulta junto do serviço de finanças competente e o acompanhamento por técnicos habilitados.

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