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Agendar uma Legalização Municipal: Procedimentos e prazos

  • Foto do escritor: Ana Carolina Santos
    Ana Carolina Santos
  • 29 de dez. de 2025
  • 4 min de leitura

Proprietários de edifícios construídos sem aprovação municipal, ou que não cumprem integralmente as licenças emitidas, enfrentam frequentemente a necessidade de legalizar essas operações urbanísticas. Este processo, designado "legalização", é uma alternativa à demolição quando a obra é suscetível de conformidade com legislação vigente. Compreender como funciona o agendamento de uma legalização, quais são os prazos e custos associados é determinante para tomar decisões informadas e evitar atrasos desnecessários.


Anexo e piscina após o processo camarário de Legalização aprovado
Anexo e piscina após o processo camarário de Legalização aprovado

O que é Legalização de obra e quando é necessária


A legalização é um procedimento administrativo que permite regularizar operações urbanísticas realizadas de forma ilegal—isto é, sem licença, comunicação prévia, ou em desconformidade com as aprovações obtidas. A lei portuguesa reconhece que nem sempre a melhor solução é demolir: quando a conformidade é possível, a legalização oferece uma saída viável.

Situações que exigem legalização:

  • Construção realizada sem qualquer aprovação municipal

  • Obra executada em desconformidade com projeto aprovado

  • Alterações significativas realizadas durante execução sem autorização

  • Divisão ou alteração de compartimentos não licenciados

  • Ampliações não autorizadas

A legalização não é automática nem garantida. Apenas é possível quando a Câmara Municipal considera que a obra pode ser adequada às normas legais e regulamentares vigentes e quando não compromete segurança, saúde pública ou interesse ambiental.



O processo de Legalização: Etapas principais


O procedimento de legalização segue um caminho específico estabelecido por lei. Compreendê-lo evita surpresas e atrasos.

Etapa 1: Notificação pela Câmara Municipal: Frequentemente, a Câmara Municipal inicia o processo notificando o proprietário ou responsável pela obra sobre a existência de ilegalidade e oportunidade de legalizar voluntariamente. Esta notificação inclui um prazo para o interessado proceder à legalização.

Etapa 2: Solicitação de informação: Antes de investir em preparação de documentação, o interessado pode solicitar à Câmara Municipal informação detalhada sobre os termos em que a legalização deve processar-se. A Câmara está obrigada a responder no prazo máximo de 15 dias. Esta consulta prévia é estratégica e recomendada.

Etapa 3: Preparação de documentação técnica: Consoante a natureza da obra, o interessado deve apresentar elementos que comprovem conformidade com normas legais vigentes. Estes podem incluir projetos técnicos (arquitetura, estrutura, especialidades), termos de responsabilidade de técnicos qualificados, ou certificados de aprovação de entidades certificadoras.

Etapa 4: Instrução do procedimento: A Câmara analisa a documentação entregue e pode solicitar complementação. Pode também exigir apresentação de elementos adicionais, como projetos de especialidades, para garantir conformidade com segurança e salubridade.

Etapa 5: Deliberação: Após análise completa, a Câmara Municipal delibera sobre a legalização. Se deferir, emite alvará de legalização. Se indeferir, pode ordenar demolição ou alterações corretivas.



Prazos: Quanto tempo demora uma Legalização


Os prazos variam significativamente consoante complexidade da obra e celeridade do requerente.

Prazo da Câmara Municipal para fornecer informação inicial: Máximo de 15 dias.

Prazo para apresentar documentação: Definido pela Câmara na notificação (típico: 30 a 60 dias). Prorrogável mediante justificação.

Prazo para complementação de documentação: A Câmara pode solicitar elementos em falta. O requerente tem prazo para entrega (típico: 15 a 30 dias).

Prazo para deliberação final: Não está expressamente fixado por lei, mas não deve ser excessivo. Situações complexas podem demorar entre 3 a 6 meses desde entrega de documentação completa até deliberação.

Tempo total estimado: Entre 4 a 8 meses em casos moderadamente complexos. Obras com problemas estruturais ou conformidade questionável podem estender-se para 12 meses ou mais.



Documentação exigida: O que preparar


A documentação varia conforme a natureza da obra. A Câmara pode dispensar certos elementos em casos simples (obras sem alteração estrutural), mas pode exigir documentação muito completa em obras complexas.

Documentação que pode ser dispensada (quando não há obras de amplição ou alteração estrutural):

  • Calendarização da execução original da obra

  • Estimativa do custo total da obra

  • Documento de prestação de caução

  • Apólice de seguro de construção

  • Apólice de responsabilidade civil

  • Títulos habilitantes do construtor válidos à data original (se obra é antiga)

  • Livro de obra original

  • Plano de segurança e saúde

Documentação típica que deve ser apresentada:

  • Projeto de arquitetura (plantas, alçados, cortes)

  • Termo de responsabilidade do arquiteto declarando conformidade ou não conformidade com normas

  • Projetos de especialidades (estrutura, instalações elétricas, hidráulicas, gás, etc.)

  • Termos de responsabilidade de engenheiros responsáveis

  • Certificados de aprovação de entidades certificadoras, se aplicável

  • Fotografias do estado atual da edificação

  • Descrição detalhada dos trabalhos realizados



Diferença entre Legalização Voluntária e Oficiosa


A lei permite dois tipos de legalização: voluntária (requerida pelo proprietário) e oficiosa (promovida pela Câmara Municipal).

Legalização voluntária: O proprietário solicita à Câmara. Mais controlado, permite negociação sobre extensão de trabalhos necessários.

Legalização oficiosa: A Câmara Municipal promove sem pedido do proprietário. Ocorre quando obra ilegal persiste e não é conformável. O proprietário é notificado para pagar taxas liquidadas pela Câmara. Menos vantajoso para proprietário.


Reabilitação e legalização de casa antiga em Caneças
Reabilitação e legalização de casa antiga em Caneças

Conselhos práticos para acelerar o processo


Consulte antecipadamente: Antes de investir em projetos, solicite à Câmara informação sobre viabilidade e documentação necessária.

Prepare documentação completa: Incompletude causa atrasos automáticos. Invista tempo em preparação cuidadosa.

Contrate técnicos experientes: Arquitetos e engenheiros familiarizados com procedimentos de legalização navegam o processo com eficiência.

Comunique proativamente: Manter contacto regular com Câmara evita desentendimentos sobre documentação ou prazos.

Considere pequenas obras de conformidade: Se a Câmara sugere pequenas alterações (reparos, reforços), realizá-las prontamente demonstra boa-fé e acelera aprovação.

Não procrastine: Quanto maior o tempo decorrido desde a construção da obra, mais difícil será provar conformidade com normas vigentes à época. Agir rapidamente quando notificado é estratégico.



Em poucas palavras


A legalização de operações urbanísticas é um mecanismo legal que oferece alternativa à demolição quando a conformidade é possível. O processo exige documentação técnica completa, envolve deliberação municipal e custos não negligenciáveis, mas permite regularizar situações que de outra forma permaneceriam ilegais. Proprietários que compreendem o procedimento, preparam documentação rigorosamente e comunicam proativamente com a Câmara Municipal obtêm resoluções mais rápidas e com menos conflitos. A legalização não é garantida e depende de conformidade técnica viável, mas para muitas situações representa a solução prática e económica.


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