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Comunicação Prévia de obras: erros que podem sair caro

  • Foto do escritor: Ana Carolina Santos
    Ana Carolina Santos
  • 14 de jan.
  • 3 min de leitura

A Comunicação Prévia é, para muitos proprietários e investidores, uma forma aparentemente mais simples e rápida de avançar com uma obra. No entanto, quando mal preparada, transforma-se facilmente numa fonte de atrasos, custos adicionais e frustração.

A seguir, apresenta-se, os erros mais frequentes na Comunicação Prévia e como uma abordagem mais cuidada pode reduzir riscos e proteger o investimento.


Piscina após Comunicação Prévia aprovada e obras de construção concluídas
Piscina após Comunicação Prévia aprovada e obras de construção concluídas

O que é, em termos práticos, a Comunicação Prévia


De forma simplificada, a Comunicação Prévia é um mecanismo legal que permite ao particular:

  • Informar a Câmara Municipal de que pretende realizar determinada obra

  • Apresentar os elementos exigidos (projetos, termo de responsabilidade, peças escritas e desenhadas, entre outros)

  • Iniciar a obra quando se encontrem verificadas as condições legalmente previstas

Não se trata de “uma formalidade” sem consequências. A Comunicação Prévia:

  • Pressupõe responsabilidade técnica por parte dos projetistas e demais intervenientes

  • Está sujeita a regras urbanísticas, regulamentares e legais

  • Pode ser objeto de fiscalização, suspensão e atuação sancionatória em caso de irregularidades

Por isso, a aparente simplicidade não dispensa rigor.


Erro 1: Ignorar condicionantes técnicas e construtivas desde o início

Outro erro recorrente é tratar a Comunicação Prévia apenas como um tema “administrativo”, deixando de lado questões técnicas fundamentais, como:

  • Acessibilidades e percursos internos

  • Condições de salubridade e ventilação

  • Segurança estrutural e contra incêndio (nos termos aplicáveis)

  • Compatibilização com infraestruturas existentes e previstas

Quando estas matérias não são consideradas com rigor:

  • O projeto arrisca-se a não ser exequível em obra sem grandes adaptações

  • Surgem alterações significativas em fase de construção, que podem já não corresponder ao que foi comunicado

  • A obra afasta-se da solução aprovada, abrindo espaço para conflitos e eventuais sanções

A Comunicação Prévia deve refletir uma solução pensada, e não um esboço em permanente improviso.


Erro 2: Subestimar a relevância das alterações em obra

É frequente que, por razões de orçamento, materiais disponíveis ou decisões tomadas em obra, se introduzam alterações relevantes ao projeto depois da Comunicação Prévia.

Erros típicos:

  • Modificar fachadas, vãos, volumetrias ou usos, partindo do princípio de que “é um ajuste menor”

  • Alterar disposições interiores com impacto em acessibilidades, segurança ou compartimentação

  • Executar elementos que não constam de qualquer peça inicialmente apresentada

Algumas alterações podem exigir:

  • Atualização de elementos

  • Nova apreciação da solução

  • Avaliação de conformidade face ao regime urbanístico e regulamentar

Desalinhamentos significativos entre a Comunicação Prévia e o que é realmente construído podem originar problemas sérios em fiscalizações futuras e em processos de utilização, venda ou regularização.


Erro 3: Desvalorizar a importância da coordenação entre intervenientes

A Comunicação Prévia envolve, em regra, vários intervenientes:

  • Proprietário ou promotor

  • Arquitetos e outros projetistas

  • Eventuais consultores externos

  • Futuro empreiteiro, quando já identificado

Erros frequentes:

  • Falta de alinhamento de expectativas entre proprietário e equipa de projeto

  • Comunicação insuficiente entre arquitetura e especialidades, gerando incoerências

  • Ausência de clarificação, logo no início, sobre limites, prazos e objetivos do projeto

Este tipo de falhas resulta muitas vezes em:

  • Retrabalho na fase de Comunicação Prévia

  • Projetos menos consistentes

  • Maior exposição a conflitos durante a obra ou em eventuais fiscalizações

Uma Comunicação Prévia robusta nasce de um trabalho coordenado, não de esforços isolados.


Erro 4: Confiar excessivamente em modelos anteriores ou “exemplos conhecidos”

É comum tentar replicar, num novo imóvel ou terreno, soluções ou procedimentos que funcionaram noutro contexto:

  • “No outro prédio fiz assim e ficou tudo bem.”

  • “Conheço quem tenha comunicado algo semelhante.”

Os riscos desta abordagem são evidentes:

  • Contextos urbanísticos e regulamentares podem ser diferentes, mesmo em zonas próximas

  • Exigências específicas podem ter mudado ao longo do tempo

  • O simples facto de algo ter sido executado anteriormente não significa que fosse a solução mais adequada ou mesmo completamente correta

Cada imóvel e cada operação têm de ser analisados no seu contexto próprio, com base na realidade atual, e não apenas em experiências passadas.


Moradia em Aveiro com uma estufa de 12m2 em alumínio
Moradia em Aveiro com uma estufa de 12m2 em alumínio

Para refletir


A Comunicação Prévia é uma oportunidade para ganhar tempo e eficiência em determinados tipos de obra, mas não é um atalho sem responsabilidade.

Quando é tratada de forma ligeira:

  • Multiplicam-se os erros formais e substanciais

  • Aumentam os riscos de conflitos, correções e sanções

  • Perde-se a confiança no processo e desperdiçam-se recursos

Quando é preparada com rigor técnico, coerência e visão estratégica, torna-se:

  • Uma base sólida para o desenvolvimento da obra

  • Um instrumento que protege o investimento

  • Um elemento que reforça a qualidade e a segurança do edificado

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