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Piscinas residenciais: Procedimento simplificado através da Comunicação Prévia

  • Foto do escritor: Ana Carolina Santos
    Ana Carolina Santos
  • 9 de out. de 2025
  • 5 min de leitura

A construção de piscinas em habitações familiares tem vindo a ganhar popularidade em Portugal, especialmente após a pandemia. No entanto, muitos proprietários desconhecem os procedimentos legais necessários para edificar uma piscina na sua propriedade. A boa notícia é que o procedimento foi significativamente simplificado com o regime de comunicação prévia.


Piscina residencial num lote privado em Cascais
Piscina residencial num lote privado em Cascais

O que mudou na Legislação


Desde 2017 a edificação de piscinas associadas a edificação principal está sujeita ao regime de comunicação prévia. Esta alteração veio simplificar drasticamente o processo, eliminando a necessidade de licenciamento prévio para este tipo de construções.​

A comunicação prévia representa uma evolução significativa no direito urbanístico português, permitindo que os proprietários iniciem as obras imediatamente após a apresentação da documentação necessária, desde que cumpram os requisitos legais aplicáveis.




De acordo com o artigo 4.º, n.º 4, alínea j) do Regime Jurídico da Urbanização e Edificação (RJUE), "a edificação de piscinas associadas a edificação principal" está expressamente prevista como operação urbanstica sujeita a comunicação prévia.​



Características do regime de Comunicação Prévia


O regime de comunicação prévia apresenta as seguintes vantagens:

  • Início imediato das obras: Não é necessário aguardar autorização prévia da Câmara Municipal

  • Processo mais célere: Eliminação dos prazos de análise típicos do licenciamento

  • Menor burocracia: Documentação simplificada comparativamente ao licenciamento

  • Responsabilidade técnica: O técnico responsável garante a conformidade legal do projeto


"A comunicação prévia permite que os proprietários materializem o seu projeto de piscina de forma mais ágil, mantendo a conformidade legal."


Requisitos essenciais para a Comunicação Prévia


1. Associação à edificação principal

A piscina deve estar necessariamente associada a uma edificação principal existente. Isto significa que não é possível construir piscinas isoladas através deste regime - deve existir uma habitação ou edifício principal no mesmo prédio.​


2. Cumprimento das regras urbanísticas

Embora o processo seja simplificado, todas as normas legais e regulamentares continuam a aplicar-se. Isto inclui:​

  • Planos municipais ou intermunicipais de ordenamento do território

  • Servitudes e restrições de utilidade pública

  • Normas técnicas de construção

  • Regulamentos municipais de urbanização e edificação


3. Projeto Técnico adequado

O projeto deve ser elaborado e subscrito por técnico habilitado, incluindo:

  • Plantas de localização e implantação

  • Projeto de escavação e fundações

  • Sistema de tratamento e depuração de águas

  • Projeto de instalações técnicas (bombeamento, filtragem)

  • Medidas de segurança e proteção



Limitações e exceções


Imóveis Classificados

Atenção especial deve ser dada aos imóveis situados em :​

  • Zonas de proteção de imóveis classificados

  • Conjuntos ou sítios classificados

  • Áreas com restrições patrimoniais específicas

Nestas situações, poderá ser necessário licenciamento prévio em vez de comunicação prévia.


Áreas sensíveis

Em áreas sujeitas a condicionamentos especiais, como:

O regime aplicável pode ser diferente, exigindo análise caso a caso.



Processo prático de Comunicação Prévia


1. Preparação da documentação

A comunicação prévia deve incluir:

  • Requerimento modelo oficial

  • Projeto de arquitetura da piscina

  • Projeto de especialidades (quando aplicável)

  • Termos de responsabilidade dos técnicos

  • Elementos comprovativos da titularidade do terreno


2. Submissão Eletrónica

A apresentação é realizada obrigatoriamente através da plataforma eletrónica municipal.


3. Início das Obras

As obras podem iniciar-se imediatamente após a submissão da comunicação prévia, assumindo o proprietário e os técnicos responsáveis a responsabilidade pela conformidade legal do projeto.



Responsabilidades e Fiscalização


Responsabilidade dos Técnicos

Os técnicos responsáveis pelo projeto devem assegurar:

  • Conformidade com todas as normas legais aplicáveis

  • Adequação às condições específicas do terreno

  • Cumprimento dos regulamentos municipais

  • Respeito pelas regras de segurança


Fiscalização Municipal

As Câmaras Municipais mantêm o poder de fiscalização durante e após a execução das obras, podendo:

  • Verificar a conformidade com o projeto comunicado

  • Solicitar esclarecimentos ou correções

  • Aplicar medidas cautelares em caso de infrações

  • Ordenar a demolição em situações de ilegalidade



Vantagens do regime atual


Para os Proprietários

  • Celeridade: Eliminação dos tempos de espera

  • Previsibilidade: Processo padronizado e transparente

  • Economia: Redução de custos administrativos

  • Flexibilidade: Possibilidade de ajustes durante a obra


Para os Municípios

  • Eficiência administrativa: Concentração de recursos na fiscalização

  • Desburocratização: Simplificação dos procedimentos

  • Controlo: Manutenção da capacidade de fiscalização

  • Transparência: Processo mais claro e acessível


Piscina residencial vista do interior da moradia
Piscina residencial vista do interior da moradia

Conselhos práticos


1. Consulta Prévia aos Serviços Municipais

Antes de avançar com o projeto, recomenda-se vivamente consultar os serviços municipais para:

  • Confirmar a viabilidade da localização pretendida

  • Esclarecer requisitos específicos do município

  • Identificar eventuais condicionamentos particulares


2. Escolha de Técnicos Qualificados

A seleção de técnicos com experiência em projetos de piscinas é fundamental para:

  • Assegurar a conformidade legal

  • Evitar problemas futuros

  • Garantir a qualidade técnica da construção


3. Verificação de Condicionamentos

É essencial verificar:

  • Existência de servitudes ou restrições

  • Proximidade a linhas de água ou sistemas de abastecimento

  • Compatibilidade com infraestruturas existentes


4. Cumprimento das Normas de Segurança

As piscinas devem respeitar:

  • Normas de segurança para prevenção de acidentes

  • Requisitos de acessibilidade (quando aplicável)

  • Regulamentação sobre sistemas de tratamento de água



Alterações recentes na Legislação


Decreto-Lei n.º 10/2024

As mais recentes alterações ao RJUE, introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 10/2024, de 8 de janeiro, mantiveram o regime de comunicação prévia para piscinas, reforçando a estabilidade deste procedimento.​


Tendências futuras

A evolução legislativa aponta para:

  • Maior digitalização dos processos

  • Simplificação adicional de procedimentos

  • Reforço da responsabilização técnica

  • Melhoria da fiscalização pós-obra



Custos associados


Taxas Municipais

O regime de comunicação prévia implica:

  • Taxa de comunicação prévia: Valor variável por município

  • Taxas de infraestruturas: Quando aplicável

  • Outros encargos: Definidos em regulamento municipal


Custos de projeto

  • Honorários dos técnicos responsáveis

  • Estudos geotécnicos (quando necessários)

  • Levantamentos topográficos

  • Projetos de especialidades



Erros comuns a evitar


1. Início de Obras sem Comunicação Prévia

Nunca iniciar obras sem ter submetido a comunicação prévia, mesmo que o processo seja simplificado.


2. Desrespeito pelas Normas Técnicas

O facto de não haver licenciamento prévio não dispensa o cumprimento de todas as normas aplicáveis.


3. Alterações não comunicadas

Qualquer alteração ao projeto original deve ser devidamente comunicada aos serviços municipais.


4. Negligência na documentação

A documentação deve estar completa e tecnicamente correta desde a submissão inicial.



Para refletir


A evolução do regime jurídico das piscinas familiares reflete uma tendência mais ampla de modernização e simplificação dos procedimentos urbanísticos em Portugal. A comunicação prévia representa um equilíbrio entre a necessidade de controlo urbanístico e a agilização de processos para os cidadãos.

Esta simplificação não diminui a importância do rigor técnico e legal. Pelo contrário, transfere maior responsabilidade para os técnicos e proprietários, exigindo um conhecimento aprofundado da legislação aplicável.

O sucesso deste regime depende da colaboração entre proprietários, técnicos e administração local, num ambiente de confiança mútua e responsabilidade partilhada. A tendência é para uma maior autonomia dos particulares, acompanhada de uma fiscalização mais eficaz e direcionada.


Nota importante: A informação apresentada tem caráter informativo e não substitui a consulta da legislação aplicável nem o aconselhamento técnico especializado. Cada projeto possui características específicas que devem ser analisadas caso a caso.


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